Brasil pode consolidar liderança mundial em recursos naturais e energia limpa, diz diretor da Vale

Bruno Pelli afirma que transição energética, inteligência artificial e descarbonização ampliam demanda por minerais estratégicos; executivo defende “mineração do futuro” para melhorar imagem do setor

O Brasil reúne vantagens competitivas e vive momento brilhante, segundo o executivo.

A combinação entre transição energética, inteligência artificial, digitalização e descarbonização da indústria coloca o Brasil em posição estratégica na economia global dos minerais críticos, afirmou o diretor global de serviços técnicos em mineração da Vale, Bruno Pelli, durante o Simexmin 2026.  Em apresentação sobre mineração do futuro,  nesta segunda-feira (18), o executivo defendeu que o país vive um “momento brilhante” para consolidar liderança mundial em recursos naturais e energia limpa.

 Pelli afirmou que o país reúne vantagens competitivas, como abundância mineral, matriz energética limpa e capacidade de atender às novas demandas tecnológicas globais.

“O mundo digital não existe sem o mundo real. Não tem como construir um data center sem metais. Não tem como fazer uma fonte energética sem minerais”, disse.

Demanda por minerais críticos deve crescer

O executivo destacou que a eletrificação da economia e o avanço da inteligência artificial deve aumentar  a demanda por minerais como cobre, níquel, lítio e terras raras nas próximas décadas. Segundo ele, o crescimento da procura por lítio e terras raras deve ultrapassar 100% em um horizonte de dez anos.

Pelli também diferenciou o mercado de minério de ferro comum do minério de alto teor, segmento em que o Brasil possui protagonismo global.“O minério de ferro típico, australiano, ou de baixo valor, tem demanda estável ou decrescente. Já o minério de ferro de alto valor tem demanda crescente, porque a rota mais barata para descarbonizar o aço depende desse tipo de minério”, afirmou.

 Setor enfrenta imagem negativa

Apesar do cenário favorável para a mineração, Pelli afirmou que o setor ainda sofre forte desgaste de imagem perante a sociedade. Segundo ele, a atividade é vista de forma mais negativa do que outras cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais.

“Ser essencial não é suficiente”, disse. “A mineração precisa se transformar para deixar de ser uma atividade indesejada e passar a ser uma mineração amada pela sociedade.”

O executivo reconheceu que desastres ambientais contribuíram para deteriorar a percepção pública da atividade mineral, mas defendeu que a indústria precisa comunicar melhor seus impactos econômicos, sociais e ambientais positivos.


A mineração precisa comunicar melhor os seus impactos positivos, diz Bruno Pelli.

Carajás é citado como “elo de preservação”

Ao abordar a atuação mineral na Amazônia, Pelli utilizou o caso de Serra dos Carajás como exemplo de preservação ambiental associada à mineração. Segundo ele, a presença da atividade mineral ajudou a manter áreas florestais no sul do Pará.

“A mineração foi o grande elo de preservação do sul do estado do Pará”, afirmou. “Os pontos da mineração são os pontos da preservação desse mosaico.”

Segundo o executivo, a Vale preserva cerca de 800 mil hectares na Amazônia e ocupa aproximadamente 4% do mosaico florestal da região de Carajás.

“O que teria acontecido no sul do Pará se a mineração não tivesse sido o elo de preservação? Com certeza a preservação teria sido menor”, declarou.

Vale aposta em cinco pilares para mineração do futuro

Durante a apresentação, Pelli detalhou a estratégia da Vale para acelerar a chamada “mineração do futuro”, baseada em cinco pilares: operação inteligente, preservação ambiental, mineração circular, inclusão social e formação da força de trabalho do futuro.

Entre as iniciativas citadas estão minas autônomas, centros integrados de controle operacional, digitalização da cadeia geológica e reaproveitamento de rejeitos e estéreis minerais.

Segundo o executivo, a Vale reaproveitou mais de 26 milhões de toneladas de rejeitos e estéreis em 2025, criando o que chamou de uma “mineração circular” dentro da própria companhia.

“Abrimos praticamente uma nova empresa de mineração dentro da Vale, reaproveitando estéril e rejeito”, afirmou.

Digitalização da geologia gerou economia bilionária

Pelli também apresentou projetos de integração entre exploração mineral, modelagem geológica, planejamento de minas e monitoramento operacional. Segundo ele, a iniciativa já gerou economia superior a US$ 1 bilhão desde 2022.

“Cada dólar investido na parte técnica retorna centenas de dólares”, disse.

Entre os projetos em andamento, o executivo destacou a meta da companhia de escanear 100% dos testemunhos de sondagem, utilizando mineralogia digital e inteligência de dados para aprimorar modelos geológicos e reduzir perdas operacionais.

“O mundo mudou. A geologia precisa mudar também”, afirmou.

Inclusão social e diversidade

O diretor da Vale afirmou ainda que a empresa assumiu o compromisso de retirar 500 mil pessoas da pobreza por meio de ações de capacitação e inclusão produtiva. Segundo ele, metade dessa meta já foi atingida.

Pelli também destacou avanços na participação feminina e de pessoas negras em cargos de liderança da companhia.

“Não fazemos isso apenas porque é positivo para a imagem. Fazemos porque acreditamos que é a coisa certa”, afirmou.

“O mundo acordou para a mineração”

Ao encerrar a apresentação, o executivo afirmou que a sociedade global passou a reconhecer a centralidade da mineração na economia contemporânea, especialmente diante das transformações tecnológicas e energéticas.

“O mundo demorou muito, mas acordou para a mineração”, declarou. “Agora precisamos transformar a forma como a mineração é percebida pela sociedade.”

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