Perspectivas para os minerais críticos e metais preciosos no Brasil foi o tema do terceiro paine do Brazilian Mining Day, que reuniu Leando Gobo (vice-presidente da PLS Brasil), José Augusto Palma (vice-presidente Executivo da Aclara Resources), Luís Maurício Azevedo (CEO da Bravo Mining) e João Cleber Cardoso (CFO da Aura Minerals), que atuaram sob a moderação de Diogo Costa (diretor de Exploração e Recursos Minerais da Vale).

Eles iniciaram o debate afirmando que o Brasil tem papel destacado como potência geológica e na transição energética, no momento em que os minerais críticos (lítio, ETR, grafite, cobre, níquel e minério de ferro de alta qualidade) ganham protagonismo.

A qualidade e profundidade dos dados geológicos brasileiros para lítio, por exemplo, são de nível mundial. Porém, há oportunidade de se ampliar o mapeamento e promover a integração e digitalização dos dados nacionais. Eles apontaram o uso da IA e Machine Learning como aceleradores de exploração e redução de riscos. E defenderam a colaboração público-privada e universidades para avançar modelos preditivos.

Como gargalos, os executivos apontaram os prazos de licenciamento (embora reconheçam que há melhora em alguns estados, como é o caso de Minas Gerais), e a insegurança jurídica pós-licença, bem como instabilidade legislativa, que prejudicam os investimentos. Foi apontada a necessidade de um repositório nacional de dados (testemunhos, sondagens, geoquímica) e política de dados públicos para não perder informações geradas pelo setor privado. Mencionaram o caso do níquel e outros sistemas profundos, que exigem geociência pré-competitiva. Há o reconhecimento da limitação de recursos públicos, o que reforça a necessidade de maior eficiência e conservação de dados. Em suas opiniões, os brasileiros “fazem muito com menos”.

Para os executivos, o ouro, embora não seja crítico, é estratégico, pois preserva valor, sustenta empregos e gera receita. Eles apontam que os preços altos abrem novas janelas de projetos e M&A, mas apontam a necessidade de cautela com avaliações.

Com relação à verticalização e processamento de minerais críticos no Brasil, eles afirmam que a decisão deve ser guiada por economia e previsibilidade e sugerem a criação de hubs integrados, o que reduz custos. O caso das terras raras, foi mencionado o caso da Aclara, que desenvolve tecnologia de separação (terá planta-piloto nos EUA) e tem intenção de trazê-la ao Brasil. Porém, para competir, é preciso atrair que o Brasil atraia OEMs e promova a integração com petroquímica, além de criar incentivos e zonas industriais preparadas.

Sobre os fatores-chave para impulsionamento da indústria, eles citam os tributos, energia, mão de obra e segurança regulatória. Para eles, o licenciamento de exploração deveria ser quase automático, por ser atividade de baixo impacto. Por fim, consideram positivo parcerias com o SGB, que já avançam, pois consideram crucial consolidar e compartilhar dados.

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