Durante a maior convenção mundial de mineração, realizada em Toronto, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que o Brasil vive um momento singular no setor mineral. Em sua primeira participação na PDAC — onde inclusive abriu oficialmente o evento — o executivo ressaltou que nunca houve um cenário tão favorável para o país assumir posição estratégica na cadeia global de minerais críticos.

Segundo Pimenta, o Brasil reúne vantagens competitivas raras: grande potencial geológico, diversidade de reservas e capacidade de expansão em minerais essenciais para tendências estruturais como inteligência artificial, transição energética e eletrificação da economia.

Investimentos e expansão em cobre

A Vale anunciou que deve investir cerca de R$ 20 bilhões nos próximos cinco anos em seu pipeline de cobre. Hoje, a companhia produz aproximadamente 380 mil toneladas anuais, com plano de praticamente dobrar a capacidade para 700 mil toneladas entre 5 e 10 anos.

Grande parte desse crescimento está concentrada em Carajás, onde a empresa já opera minas relevantes como Salobo e Sossego. O movimento ocorre em um contexto de crescente percepção global de possível déficit de oferta do metal, considerado vital para data centers, infraestrutura elétrica e descarbonização.

Foco estratégico: minério de ferro, cobre e níquel

Apesar de avaliar constantemente novas oportunidades, a estratégia atual da Vale está concentrada em três frentes principais:

  • Minério de ferro de alta qualidade, essencial para reduzir as emissões na cadeia do aço — responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO₂.
  • Cobre, peça-chave na eletrificação mundial.
  • Níquel, fundamental para baterias e mobilidade elétrica.

A companhia também vem ampliando a agregação de valor, mantendo-se como maior produtora global de pelotas e avançando com briquetes, reforçando sua posição na cadeia siderúrgica.

Desafio da verticalização e refino

Pimenta destacou que o mercado de minerais críticos se tornou altamente concentrado, especialmente na etapa de refino, hoje dominada por alguns mercados asiáticos. Para que o Brasil avance na consolidação de uma cadeia mais verticalizada e competitiva, será necessário apoio estruturante — seja fiscal, regulatório ou financeiro.

Nesse contexto, a Vale apoia iniciativas como a criação de fundos voltados a minerais críticos em parceria com o BNDES, sinalizando alinhamento entre setor privado e política industrial.


O recado em Toronto foi claro: o Brasil tem recursos, escala e capacidade técnica para liderar uma nova fase da mineração global. O desafio agora é transformar potencial geológico em estratégia industrial, inovação e protagonismo internacional.

https://youtu.be/Rp7IoTvSRtA